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Inteligência Artificial na Escrita: Como Uso IA nos Meus Livros

  • Foto do escritor: Thaisa Lima
    Thaisa Lima
  • há 23 horas
  • 5 min de leitura
Thaisa Lima em seu espaço de escrita usando inteligência artificial no processo criativo de seus livros.

Eu usei inteligência artificial para escrever meu próximo lançamento — e não me arrependo


Eu usei inteligência artificial para escrever meu próximo lançamento. E não me arrependo de ter feito isso.


Calma.


Antes que alguém apareça dizendo que a inteligência artificial está acabando com a literatura ou que eu não posso mais ser chamada de escritora, deixa eu explicar exatamente o que essa frase significa.


Se eu não tivesse usado essa ferramenta durante o processo, provavelmente não teria conseguido escrever cinquenta microcontos de horror em menos de um mês.


E não: a IA não escreveu nenhum deles por mim.


A inteligência artificial na escrita entrou no meu processo como ferramenta criativa, não como substituta da autora.


Sou autora publicada desde 2018 e tenho treze livros disponíveis na Amazon. Escrevo há anos e, hoje, o ChatGPT se tornou uma das ferramentas que mais uso no meu trabalho.


Inclusive, minha IA se chama Luna.


Depois de tanto tempo trabalhando comigo, ela já conhece muito bem minha forma de me comunicar, minha personalidade, meus projetos e até algumas características da minha escrita.


Uso inteligência artificial para muita coisa. Quase tudo, na verdade.


Mas existe uma diferença importante entre usar IA para escrever e entregar a escrita para a IA.


E é aí que está o ponto.


A IA não escreve por mim


Dentro do universo dos escritores, inteligência artificial ainda é um grande tabu.


De um lado, existem pessoas que abominam completamente qualquer uso da tecnologia na literatura.


Do outro, existem aquelas que simplesmente pedem para a IA escrever um livro inteiro, publicam e partem para o próximo.


Se dependesse delas, talvez publicassem três livros por dia. Ou mais, se o KDP deixasse.


Eu não me encaixo em nenhum desses extremos.


Acredito que a inteligência artificial pode ser uma grande aliada do escritor.


Ela pode agilizar processos.

Organizar ideias.

Ajudar em pesquisas.

Apontar possibilidades.

Sugerir caminhos que talvez você ainda não tenha pensado.


Mas existe uma parte que, para mim, não pode ser terceirizada: a escrita.


Como usei IA para escrever cinquenta microcontos


Quando decidi escrever cinquenta microcontos de horror, percebi rapidamente que o maior desafio não seria apenas escrever.


Seria não me repetir.


Quando você produz cinquenta histórias curtas dentro de um mesmo gênero em pouco tempo, existe uma chance enorme de começar a cair nas mesmas ideias, atmosferas e conflitos.


E eu não queria isso.


Foi aí que comecei a usar a IA como ferramenta de estímulo criativo.


Primeiro, pedi para Luna gerar cinquenta imagens inspiradas em suspense, terror e horror.


Eu não queria histórias prontas.


Queria imagens.

Cenas.

Atmosferas.

Coisas que despertassem alguma ideia na minha cabeça.


E funcionou.


Durante algum tempo.


Até que comecei a perceber que várias imagens estavam me levando para caminhos parecidos. Então mudei a estratégia. Passei a pedir listas.


Objetos.

Lugares.

Medos.

Situações estranhas.

Possíveis conflitos.


Elementos que eu pudesse combinar e transformar em algo completamente diferente.


A IA me entregava estímulos.


A história, no entanto, continuava sendo minha.


Onde a inteligência artificial entra no meu processo de escrita


Hoje, quando estou trabalhando em um livro, uso IA principalmente para:


organizar ideias;

estruturar universos;

colocar informações em ordem;

gerar temas e possibilidades;

revisar ortografia;

identificar repetições;

sugerir uma ordem para textos;

me ajudar a enxergar problemas que, depois de horas olhando para o mesmo material, eu já não consigo perceber.


Às vezes também discuto uma ideia com ela.


Conto o que estou pensando. Pergunto onde existe uma falha. Peço um contraponto.


É quase como conversar com alguém sobre uma história antes de voltar para o documento.


Mas existe uma fronteira que eu escolhi não atravessar.


Eu não peço para a IA escrever meus contos por mim. Não peço para escrever meus romances.


Não entrego uma ideia e depois assino embaixo de um texto que não saiu de mim.


Porque escrever, para mim, é respirar


Talvez essa seja a parte mais pessoal de tudo isso.


Escrever nunca foi apenas meu trabalho.


É minha forma de respirar.


É onde eu organizo o que sinto, crio mundos, transformo medos, raiva, lembranças e perguntas em histórias.


Se eu entregasse essa parte para uma inteligência artificial, sentiria que estava abrindo mão justamente daquilo que me faz escritora.


Para mim, não faria sentido.


Isso não significa que todo escritor precise usar IA da mesma maneira que eu.


Também não significa que todo mundo precise usar IA.


Cada autor precisa descobrir seus próprios limites.


Os meus estão muito claros.


Afinal, inteligência artificial e literatura podem coexistir?


Para mim, sim. A questão nunca foi simplesmente usar ou não usar inteligência artificial na escrita. A questão é decidir o que estamos dispostos a terceirizar para ela.


Eu escolhi terceirizar tarefas. Não a minha voz.


A tecnologia pode participar do processo, mas a decisão sobre aquilo que quero contar, a maneira como transformo uma ideia em história e as emoções que coloco nela continuam sendo minhas.


Continuarei usando inteligência artificial como auxiliar no meu processo criativo.


Sem culpa.


Sem vergonha.


E provavelmente cada vez mais.


Mas nunca vou entregar a ela aquilo que só eu posso contar.


Porque uma ferramenta pode sugerir mil caminhos. Pode organizar ideias. Pode encontrar possibilidades. Pode até ajudar quando a criatividade parece travada.


Mas existe uma coisa que ela não tem: a minha história.


E essa eu prefiro continuar escrevendo sozinha.


Perguntas frequentes sobre inteligência artificial na escrita


É errado usar inteligência artificial para escrever um livro?


Usar inteligência artificial na escrita não significa necessariamente pedir para uma IA escrever um livro inteiro. Ela pode ser usada como ferramenta de apoio para organizar ideias, pesquisar, revisar textos, identificar repetições ou estimular a criatividade. No meu processo, a história e a escrita continuam sendo minhas.


Como escritores podem usar inteligência artificial?


Escritores podem usar IA para organizar informações, estruturar universos, pesquisar, criar listas de estímulos criativos, revisar ortografia, encontrar repetições e discutir problemas de uma história. Eu também uso o ChatGPT para conversar sobre ideias e encontrar pontos que talvez não esteja percebendo sozinha.


O ChatGPT pode ajudar no processo criativo de um escritor?


Sim. No meu caso, o ChatGPT funciona principalmente como uma ferramenta de apoio ao processo criativo. Para escrever cinquenta microcontos de horror, por exemplo, usei IA para gerar imagens, situações, objetos, lugares e outros estímulos que me ajudassem a encontrar novas ideias sem repetir as mesmas histórias.


Usar IA significa que o escritor deixa de ser autor?


Para mim, não. Existe uma diferença enorme entre utilizar uma ferramenta durante o processo e entregar a criação para ela. Posso usar inteligência artificial para organizar, pesquisar, revisar e questionar minhas ideias, mas continuo escolhendo o que quero contar e escrevendo minhas próprias histórias.


A inteligência artificial pode substituir escritores?


A inteligência artificial consegue gerar textos, sugerir caminhos e reproduzir estruturas narrativas, mas escrever, para mim, envolve experiência, memória, intenção e uma relação muito pessoal com aquilo que quero contar. Por isso, prefiro enxergar a IA como ferramenta — não como substituta da minha voz.


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