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Eu desaprendi a escrever | O medo de voltar a escrever depois de anos parada

  • Foto do escritor: Thaisa Lima
    Thaisa Lima
  • 1 de jun.
  • 2 min de leitura
Mulher sentada diante do computador olhando para a tela em branco, representando bloqueio criativo, insegurança e o retorno à escrita após anos sem publicar.

Depois de anos sem escrever com frequência, percebi algo assustador: minha escrita não fluía mais como antes. Nesta crônica, compartilho o medo, a insegurança e o processo de voltar a escrever depois de tanto tempo parada.

Eu desaprendi a escrever


Eu não sei mais escrever.


Essa é a verdade nua e crua que eu não queria admitir.


Jamais imaginei que seria tão difícil voltar a escrever depois de tantos anos parada.


Quando a Literária Mais decidiu criar um blog, aquela centelha perdida da escrita reacendeu. Comecei a escrever algumas crônicas. Coisa pouca, mas, pela primeira vez em muito tempo, me vi publicando textos novos outra vez.


Depois veio o desafio de microcontos.


E, junto dele, a vontade de escrever voltou com tudo.


O que eu não sabia é que sentir vontade de escrever novamente não significava que escrever seria fácil.


O desafio durou apenas sete dias.


Mas eu queria mais.

Quer dizer… eu ainda quero.

Estou com saudade de publicar algo novo.

E meus leitores começaram a pedir também.


Então chamei a Francy Lima e propus um novo desafio:

escrever um microconto por dia durante cinquenta dias.


Eu escreveria horror. Ela escreveria fantasia.


Mas, como nós somos duas completas malucas, resolvemos piorar a situação.


Em algum momento, Francy olhou para mim e disse:


— E se a gente escolher quinze microcontos e transformar em um novo livro de contos?


Pronto.


A desgraça estava feita.


Já tinha sido um desafio enorme concluir os cinquenta microcontos.


Mas eu não estava preparada para o que viria depois: os contos.


Toda feliz por ter terminado a escrita do primeiro livro, sentei para começar o segundo.


E foi ali que entrei em pânico.


Passei um dia inteiro na frente do computador escrevendo e apagando. Escrevendo e apagando.


Porque nada parecia bom.


Faltava emoção.

Tensão.

Mistério.


Faltavam palavras.


A construção parecia vazia. Artificial.


Nada do que eu escrevia parecia realmente vivo.


E eu entrei em desespero de verdade.


Como aquilo era possível?


Eu já publiquei vários livros.


Então por que parecia que eu tinha desaprendido tudo?


Foi aí que lembrei de uma coisa importante:

nosso cérebro precisa ser exercitado.


Ele perde ritmo.

Desacostuma.

Enferruja.


A escrita também.


Depois de anos sem escrever com frequência, minha mente criativa não funcionava mais como antes.


E talvez o mais assustador tenha sido perceber isso.


Mas existe uma parte boa.


Mesmo quando parece impossível no começo… a prática volta.


É como andar de bicicleta.


Depois de anos sem subir em uma, você fica insegura. Cambaleia. Talvez até caia algumas vezes.


Mas, aos poucos, o corpo lembra.


Com a escrita acontece a mesma coisa.


Então, mesmo achando tudo ruim…

mesmo sentindo medo…

mesmo enfrentando dificuldades…


meu novo livro vai sair.


O primeiro conto já está pronto.


Agora só faltam quatorze.


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