A técnica das 4 listas que estou usando para criar microcontos todos os dias
- Thaisa Lima

- há 7 dias
- 2 min de leitura

Depois de muito tempo tentando voltar a escrever com frequência, encontrei em uma técnica simples uma forma divertida de desbloquear ideias. A técnica das 4 listas para criar microcontos quase todos os dias — talvez seja uma das ferramentas criativas mais interessantes que já experimentei.
A técnica das 4 listas que estou usando para criar microcontos todos os dias
Uma das coisas mais difíceis quando você decide escrever constantemente é continuar tendo ideias.
Porque inspiração é linda… até o dia em que ela simplesmente resolve desaparecer.
E como eu decidi entrar no desafio pessoal de escrever um novo livro com cinquenta microcontos, percebi rapidamente que precisava encontrar maneiras diferentes de estimular minha criatividade.
Foi aí que lembrei da técnica das quatro listas, que aprendi em uma oficina literária durante a mesma Bienal do Livro em que conheci a técnica das imagens.
E eu não estava preparada para o quanto isso iria funcionar.
Já falei o quanto é maravilhoso participar de oficinas literárias?
Se você é escritor e não tem esse hábito, talvez devesse repensar.
A ideia é simples:
Criei listas separadas com elementos aleatórios. Pedi ajuda à IA para montar listas com trinta itens cada.
Uma lista com personagens.
Ex.: “Um segurança extremamente nervoso.”
Outra com lugares.
Ex.: “Uma casa impecavelmente limpa demais.”
Outra com ações.
Ex.: “Observar alguém dormindo.”
E outra com objetos.
Ex.: “Uma chave enferrujada.”
Lista pronta, hora de sortear.
Basta escolher um número de cada lista (e aqui vale usar dados, cartas de baralho, aplicativos de sorteio, IA…) e depois conferir quais foram os elementos sorteados.
E é aí que as coisas ficam interessantes.
Porque meu cérebro passou a ser obrigado a conectar elementos que normalmente não combinariam.
Às vezes surge algo completamente absurdo.
Uma mulher vestida de noiva em um posto de gasolina abandonado segurando uma chave enferrujada.
Uma criança dentro de um elevador ouvindo alguém chamar seu nome pelo interfone.
Um homem sozinho em um supermercado 24h tentando esconder uma sacola que pinga sangue.
E, de repente, o conto começa a nascer.
O mais divertido dessa técnica é justamente o inesperado.
Ela me tira da zona confortável e me obriga a pensar diferente.
Muitas vezes eu olho para a combinação e penso:
“Não faço ideia do que fazer com isso.”
Cinco minutos depois, já estou escrevendo.
E percebi algo muito importante durante esse processo:
Criatividade não aparece apenas esperando a inspiração cair do céu.
Às vezes ela nasce quando a gente provoca o cérebro a brincar.
Talvez seja exatamente por isso que estou me divertindo tanto escrevendo esse novo livro de microcontos.
Estou criando sem a obrigação de fazer tudo perfeito.
Sem tentar transformar cada ideia em uma obra-prima.
Só experimentando.
Errando.
Testando.
Descobrindo histórias que eu mesma não sabia que existiam dentro de mim.
E, sinceramente?
Acho que foi isso que fez minha escrita respirar de novo.
Estou amando acompanhar esse caos criativo acontecendo em tempo real.
E os microcontos estão ficando incríveis.
Deixei um pequeno spoiler do que vem por aí neste link.
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