Como imagens estão me ajudando a escrever um livro de microcontos
- Thaisa Lima

- há 14 horas
- 2 min de leitura

Como imagens estão me ajudando a escrever microcontos?
Acho que fazia muito tempo que escrever não parecia tão divertido. E foi curioso perceber que algumas imagens começaram a despertar histórias inteiras dentro da minha cabeça — principalmente histórias de suspense, terror psicológico e personagens que parecem esconder alguma coisa.
Estou escrevendo um livro de microcontos. Depois de muito tempo sem escrever nada.
E, sinceramente?
Esse processo tem sido uma das experiências criativas mais divertidas que vivi nos últimos tempos.
Sempre gostei de histórias curtas, mas existe algo muito desafiador nelas: você precisa provocar impacto em poucas palavras. Às vezes, em poucas linhas.
E graças ao concurso de microcontos promovido pela Literária+, do qual fiz parte da organização, recordei como era prazeroso — e uma ótima forma de desbloquear novas ideias — usar imagens como inspiração.
Meu primeiro contato com essa técnica foi em uma oficina literária com Cida Pedrosa, poeta incrível, em 2018, se não me falha a memória, durante uma Bienal do Livro em Alagoas.
Foi a partir de um conto criado nessa oficina que nasceu meu livro A Casa e Outros Contos.
Durante o concurso, meus textos não participaram da seleção, mas me desafiei a escrever sete microcontos em sete dias.
Imagens completamente aleatórias.
Mas percebi rapidamente que algumas imagens parecem esconder segredos.

Uma mulher correndo na chuva segurando uma sacola.
Uma casa antiga no meio do nada.
Uma criança parada sozinha em um corredor.
Um homem encarando algo fora da câmera.
Quanto mais eu observava… mais histórias apareciam.
E o mais curioso é que a imagem nunca me entrega a história pronta.
Ela entrega atmosfera.
Sensação.
Perguntas.
É como se meu cérebro começasse automaticamente a preencher os espaços vazios.
Quem é essa pessoa?
O que aconteceu antes?
O que vai acontecer daqui a cinco minutos?
Por que essa cena me incomoda?
Muitas vezes, o conto nasce exatamente dessa inquietação.
E eu estou adorando esse processo porque ele me tira do lugar confortável.
Algumas imagens me levam para o suspense.
Outras para o terror psicológico.
Outras para histórias melancólicas ou violentas.
E isso faz com que eu escreva coisas que talvez nunca surgissem naturalmente.
Existe algo muito mágico em perceber que uma única imagem pode carregar dezenas de histórias diferentes, dependendo de quem observa.
Talvez seja por isso que estou tão apaixonada por essa experiência.
Estou escrevendo praticamente um conto por dia e, pela primeira vez em muito tempo, me permiti criar sem pressão, sem perfeccionismo e sem tentar controlar tudo.
Só deixando as histórias aparecerem.
E acho que isso devolveu algo muito importante para a minha escrita:
Diversão.
Meu próximo livro será composto por contos que nasceram a partir de imagens.
E eu estou louca para mostrar esse projeto ao mundo.
Você gostaria que eu trouxesse aqui no blog algumas das primeiras versões desses contos?
Vamos ver até onde as imagens conseguem me levar.

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