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Uma ideia paradoxal | Amor e dor caminham juntos?

  • Foto do escritor: Thaisa Lima
    Thaisa Lima
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Pessoa olhando pela janela durante a noite enquanto reflete sobre amor, dor e relações humanas em uma crônica introspectiva.

Nesta crônica, reflito sobre a forma como aprendemos a associar amor ao sofrimento e como essa ideia influencia nossos relacionamentos, afetos e dores emocionais.

Uma ideia paradoxal


Certa vez me perguntaram o que era o amor.


Pensei por alguns segundos antes de responder.


E a única palavra que me veio à cabeça foi:


dor.


A pessoa me olhou assustada, sem entender como eu conseguia associar um sentimento tão bonito ao sofrimento.


— Dor?


Respondi que sim.


E deixei que pensasse que eu estava passando por alguma desilusão amorosa. Afinal, para muita gente, essa seria a explicação mais lógica.


Mas a verdade é que aquela pergunta ficou ecoando na minha cabeça por dias.


Amor e dor.


Até rimam.


Seria cômico… se não fosse tão real.


Passei noites pensando nisso. Tentando entender por que, quase sempre, aprendemos a amar através do sofrimento.


E quanto mais eu refletia, mais percebia que talvez a humanidade inteira tenha romantizado essa associação.


O maior símbolo de amor da cultura cristã é também um símbolo de dor: a cruz.


Foi nela que Jesus sofreu, sangrou, foi humilhado, ridicularizado e sacrificado para provar seu amor pela humanidade.


O amor tudo sofre.

Tudo suporta.

Tudo espera.


A dor aparece escondida até nas frases que usamos para definir o amor.


Sofremos por amor não correspondido.

Por abandono.

Por rejeição.

Por ciúme.

Por medo de perder.


E, muitas vezes, usamos o “amar demais” como desculpa para controlar, aprisionar e machucar o outro.


Aprendemos tão cedo que amor e sofrimento caminham juntos que começamos a aceitar relações tóxicas como se fossem provas de intensidade.


E isso é perigoso.


Hoje eu acho que amor não é dor.


Ou, pelo menos, não deveria ser.


Amor é entrega.

É cuidado.

É presença.

É respeito pelas diferenças.


É poder ser quem se é sem medo.


Talvez amar seja justamente isso: dar espaço para o outro existir sem precisar diminuí-lo para se sentir amado.


Mas pensando bem… acho que quase todos nós ainda carregamos um pouco de egoísmo na forma de amar.


E talvez essa seja a parte que mais dói admitir.


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